segunda-feira, maio 16, 2005

Razão vs Emoção

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A batalha entre razão e emoção costuma acontecer quando se tenta mostrar que um é mais importante do que o outro. Há quem proponha que o ideal humano deveria ser buscar a racionalidade e a lógica e que esse deveria ser o objetivo da educação formal. Outros propõe que nossa essência é mesmo emocional, e que é esse o aspecto que deve dominar. Essas discussões acabam sugerindo que há uma eterna relação de competição entre razão e emoção, como se fossem aspectos irreconciliáveis do ser humano. Vou defender a idéia de que ambas as visões estão equivocadas. A razão e emoção não deveriam estar em conflito, mas sim atuar em regime de parceria.
Vou usar um recurso muito utilizado pelos matemáticos, a demonstração por absurdo. Se não forem parceiras, então obviamente uma delas deve estar dominando a outra. Que ocorre nesses casos? Suponha que se deixe o emocional ganhar. Nesse caso, o comportamento da pessoa estará sendo orientado em direção a conveniências emocionais momentâneas. Seleciona-se atitudes e alternativas que tenham grande potencial de benefício imediato para a pessoa e seus familiares próximos, mesmo que possam significar péssimas opções para eles no futuro. Se fossem parceiras, as atitudes deveriam ser selecionadas não apenas por sua significação imediata, mas também levando em conta sua eficácia global, mesmo que essas atitudes sejam, no curto prazo, desagradáveis ou constrangedoras.
Uma outra forma de abuso do emocional ocorre quando este tenta "usar" o racional para providenciar suporte para intenções inconvenientes. Neste caso, o racional estará sendo um "servo" dos motivos emocionais e as soluções podem parecer ganhar certa justificação, pois esse racional estaria sendo usado para suportar uma decisão emocional equivocada. Esta situação recebe o nome de racionalização: é o uso de "desculpas racionais" para fugir (ou evitar) a solução de certos problemas de grande significação emocional.