O Desenvolvimento de Emoções Complexas

A estrutura emocional dos seres humanos não é sempre a mesma durante sua vida. Há diversas alterações, conforme a pessoa se submete a novas experiências. Quando nascem, os bebês têm uma estrutura emocional fundamentalmente simples. Os bebês sorriem, choram, sentem medo, surpresa, desconforto, irritação. Todas essas emoções instintivas também existem em adultos, mas estes podem, na maioria das vezes, controlar sua expressão. Isto não ocorre com bebês. Bebês também não demonstram possuir os típicos sentimentos sofisticados que os adultos possuem. Um bebê, por exemplo, pode chorar de madrugada sem constrangimento, pois não tem a menor noção de que vai atrapalhar o precioso sono dos pais que precisam trabalhar no dia seguinte. O bebê também não demonstra gratidão por todos os cuidados e esforços que recebe dos pais. Sua estrutura emocional é muito básica, muito "automática", instintiva.
Entretanto, com o passar do tempo, o bebê vira uma criança, depois vira um adolescente e finalmente um adulto. É um longo — e, na maioria das vezes, doloroso — período de aprendizado cognitivo e emocional, no qual se ganham noções complexas como vergonha, culpa, preocupação, afeto, altruísmo, dedicação, compaixão e muito mais. A nossa racionalidade tem que participar desse processo, tem que crescer junto, tem que justificar ou não algumas dessas emoções, nas várias circunstâncias em que ocorrem.
Portanto, embora sejamos seres muito emocionais, é indispensável que usemos o bom senso e o pensamento crítico para orientar a nossa expressão emocional, questionando-a sempre que necessário. Ao que tudo indica, é preciso haver um tipo de convivência entre emoção e razão que não se encaixa muito bem em visões do tipo "emoção é mestre, razão é escrava".