quarta-feira, junho 01, 2005

A Difícil Arte de Conviver Com Pessoas

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Somos seres sociais. Precisamos de convívio e de interação, pois muito provavelmente esse foi um dos fatores fundamentais da sobrevivência do Homo Sapiens sobre os Neandertais. Mas a convivência com outros seres humanos traz uma nova categoria de problemas a esse animal emocional. Agora, já não basta ter que levar em conta nossos próprios pensamentos, precisamos também considerar o que os outros pensam sobre nós. E aí vem a questão: qual é a real importância que precisamos dar ao que os outros pensam de nós? Seria importante alterarmos nosso comportamento para melhor se ajustar ao que o mundo quer de nós?
Se deixarmos a resposta a esta pergunta unicamente a cargo da emoção, ficamos com nossa conduta essencialmente à mercê de nosso meio social. Vamos sempre querer ser aquilo que os outros esperam, aquilo que eles desejam que sejamos. É fácil concluir que, se permitirmos isso, vamos ter que alterar constantemente nosso comportamento, para nos conformar sucessivamente aos diferentes tipos de ambiente pelos quais circulamos diariamente. Intuitivamente, isto já parece ruim. Mas há uma razão racional para justificar porque essa não é uma boa situação.
De que forma os outros percebem aquilo que realmente somos? Ora, ninguém consegue "espiar" por dentro de nosso cérebro, é apenas através de nossas ações e de nosso comportamento que os outros podem conhecer alguma coisa acerca de nosso pensamento. As pessoas que nos cercam fazem um "modelo" daquilo que somos através das nossas ações e reações diárias às diversas situações a que somos submetidos. Se minhas ações não forem coerentes, ou se minhas reações forem precipitadas ou injustificáveis, então os outros vão fazer um modelo de que sou uma pessoa confusa e atrapalhada.
Não é tão importante assim o que os outros pensam de nós, é mais importante o que nós pensamos sobre nós mesmos, pois o que os outros pensam de nós será automaticamente um reflexo de nossas atitudes exteriores. E nossas atitudes exteriores são diretamente função daquilo que nós achamos de nós mesmos. Mesmo que haja "justificativas emocionais" que suportem uma postura de timidez ou de exclusão, é necessário que nossas "justificativas racionais" falem mais alto, rejeitando a evolução desse ciclo artificial e conduzindo nossos esforços no sentido de superar essa armadilha. Estamos neste caso usando a força do racional para auxiliar, em regime de parceria, a resolução de problemas de ordem emocional.