Eu não sei...
Esqueçe tudo que sabes.
Eu não te peço o impossível, somente o tempo que tu tens
para dividir, pois eu não divido minhas horas em minutos
com ninguém. Eu somente as separo em palavras
intercaladas por silêncios, nos altos e baixos da vida,
em correntes de momentos que nunca morrem no mar.
Eu perdi pelo vento o meu medo de amar.
Entendo que sendo o único a não saber, posso somente
sentir, e nada mais. Posso afastar o impulso da pura
intenção, posso repartir contigo minha imensa solidão.
Posso transbordar um cálice de lágrimas, para que
evaporem no céu inclemente dos trópicos, restando
somente o sal de mim.
Ninguém disse que era fácil se ater ao simples, se
descobrir na ponta de um sorriso e se afirmar no extremo
de um abismo, mas isso tudo eu fiz. Eu caminhei sentido
por tantos destinos, e descansei em vários círculos de
paraísos perdidos, mas nunca deixei de acreditar que os
remédios mais amargos são curas concentradas para quem
nunca soube que o doce não faz mal.
Não peso todas essas consequências, ninguém sabe onde
vamos parar no fim.
Por isso, esqueçe tudo que sabes.
Porque eu não sei.
